chemmy

i found the way home // @Lemistry {Frandylan}

soul-and-mind-dark:

 Sentira falta daquilo, sentira mesmo. Fosse da língua áspera de Chem roçando na sua, ou o corpo magrelo, ainda que forte, dele, contra o seu. Sentia que ele teria um pouco mais de trabalho para maneá-la agora, como costumava fazer, há algum tempo atrás, já que Leonora havia engordado bastante. Suas bochechas estavam mais fartas, assim como suas coxas, bumbum, busto, e parte de sua cintura havia sumido. Andara comendo mais do que deveria, por ansiedade, talvez. Principalmente, porque tentara deixar o cigarro, há algumas semanas atrás. Em suas crises de abstinência, ia até Alex e pedia para ele ir até o mercado mais próximo e trazer as coisas mais gostosas que encontrasse.

 Todavia, o esforço foi em vão. Naquela manhã mesmo, Parkinson quase acabara com um maço.

 — Eu não gosto quando você some. — Suspirou por fim, depois de abandonar um chupão na língua de Chemmy. Acomodou-se melhor na cama, sobre seu braço esquerdo, e usou a mão direita para percorrer a extensão das costas do químico, com suas unhas, afim de causar-lhe arrepios. O moreno não sentia dor, mas estímulos… Ah, isso a loira sabia que não fugia às percepções dele.

 Procurando enroscar sua perna em meio às do mais novo, Leonora sentiu todo aquele impulso romântico de sempre, que parecia tornar-se ainda mais aflorado quando Chem passava muito tempo longe, tão típico.

 — Você tem que ir embora às vezes… Mas quando isso acontecer, me promete que vai voltar? — Perguntou. Seu tom era baixo, fraco, ao que erguia seus olhos, indubitavelmente grandes, e tão azuis quanto o mar, assim como igualmente profundos, procurando pelos oliva de Chemistry. Era uma frase retórica, mas seria ótimo ouvir a voz de Chemmy completando sua necessidade clichê, nem que fosse para rir da cara dela, que soava como uma boba completamente apaixonada agora. Sabia que aquilo não precisaria de resposta, porque pelo que já vagueara pelos olhos do maior, toda santa vez que ele voltava de sabe-se onde… Via seu nome escrito, praticamente, como o maior e, talvez, único motivo, para que ele retornasse àquele Internato considerado patético. — Você sabe que eu sempre estarei esperando por você… Não sabe? Espero que sim. De vez em quando eu queria entrar nessa sua cabeça, ver se você tem noção de tudo o que me causa, perto ou longe… — Confessou, com um sorrisinho torto. — Mas eu te amo demais para simplesmente te invadir assim. Na verdade… — Riu nasalmente. — Eu te amo demais para qualquer outra coisa do tipo.

Chemistry, realmente sentira falta de Leonora. A prova mais cabal era a sua falta de vaidade. Quando fugiu uma vez, ainda quando o tio da garota insistia em separá-los, chegou a usar chinelos. Naquele tempo que tinha passado longe de Leo, estava com o cabelo muito maior e até com a barba muito maior do que geralmente seria. De qualquer forma, agora pretendia apenas matar as saudades e a necessidade que tinha de estar perto daquela loira.

— Sabes bem que eu não tenho escolha. — Disse. Não era de fato uma mentira. Certas funções, Chemistry não poderia sair delegando. Ele era simplesmente a cabeça de todos os seus negócios e precisava agir como tal ou perderia seu posto. Por outro lado, era também uma muleta. Chemistry sempre foi um homem livre. Não aquele clichê falso de liberdade. Ele nunca tinha paradeiro e fazia realmente o que dava na telha. Só que agora ele tinha a namorada e ele sempre voltaria por ela. Leonora Parkinson, que ele sabia que um dia seria a Sra. McGuire, agora era o ponto mais fraco do químico e isso não era uma coisa boa.

Por mais que o químico não gostasse de partir e deixar a loira para trás, ele adorava simplesmente sair daquele lugar. Havia feito amizades por ali, mas ainda achava aquele internato uma prisão. Ainda achava que aquele lugar era só um depósito de mutante contra radicais que, pra Chemistry, nem valia a pena fugir de fato. Sair dali, arriscar-se, ter que improvisar era fazer com que ele voltasse a se sentir vivo. Ele amava Leonora mais que a própria vida, mas se não sumisse, enlouqueceria.

As mãos ásperas do mais novo correram em uma carícia gentil pelo rosto de sua garota. Um sorriso brotou, pequeno e tímido, nos lábios dele que encarava os olhos azuis de sua namorada. Ajeitou-se na cama o suficiente para dar um beijo demorado na testa dela. — Você sabe muito bem que é a única coisa que me prende nesse lugar, não sabe? — Ele perguntou baixinho. Não via necessidade de prometer aquilo, até porque já tinha visto o próprio final sem aquela mulher, já havia se visto sem ela e: — Não gosto do que eu sou sem você.  — Concluiu. Aquelas palavras eram mais do que suficientes para que a outra entendesse que, passasse o tempo que passasse, Chemistry havia se prendido a ela e isso significava muito para alguém que cresceu e criou a si mesmo com base em conceitos da própria cabeça.

Em qualquer outra situação, ele estaria sendo engraçado, soltando aquela risada que todo o instituto conhecia, porém ele havia passado por tanta coisa, quase morrido várias vezes nessa última expedição que deixar claro o que ele sentia por Leonora era o mínimo. Era estranho, sim, ter aquela conversa digna de livros de John Green, mas era necessário. Pelo menos depois de tanto tempo era o que ele sentia.

— Eu queria poder dizer pra você que você pode invadir minha cabeça, mas tem coisas sobre mim que eu ainda não estou pronto para deixar você ver. — Disse à namorada e forçou um sorriso. Certas coisas em sua vida não eram motivo de orgulho, não seriam nunca. Um exemplo claro era a morte de sua mãe. Leo poderia se tornar a melhor amiga da mãe dele, mas ele nunca seria capaz de perdoar a si mesmo por essa tragédia.

— Ahn… Se lembra quando você dormiu nos meus braços pela primeira vez, em cima daquela mesa? — Ele começou devagar, tornando a se ajeitar na cama. Escondia o rosto no pescoço da garota enquanto as mãos ásperas tocavam o ventre dela em desenhos psicodélicos. Estava sentindo-se completamente extasiado com todos os toques e estímulos dados por ela. — Eu sabia que você não seria a velha com gatos, mas achava que esse cara seria eu (claro, sem os gatos). Não tenho telepatia, mas sempre vi em você a melhor garota do universo e eu tenho medo de perder você porque você é tudo de bom que tem em mim. Você é o que me torna humano. 

Não estava se referindo a perder os poderes e ser só um homo sapiens como manda o figurino.  Estava se referindo a ser menos cruel, a se deixar ter amigos e vida social. Estava se referindo a deixar de olhar todo mundo com paranoia de que todos poderiam estar fazendo parte de uma conspiração ou, até mesmo, seu transtorno obsessivo compulsivo estava visivelmente melhor, simplesmente porque ter Leonora significava ter o mínimo de estabilidade que Chem precisava.

— E eu acho que você andou lendo A Culpa é das Estrelas na minha ausência. — Ele a zoou, simplesmente porque não seria ele se não fizesse. Suas mãos se fecharam na barriga dela com um pouco de força. Amar assim só podia ser coisas de livros.

#turnos  #001  #leonora  #oh god quanta fofura pra esses dois 







  1. chemistrymcguire reblogged this from soul-and-mind-dark and added:
    — É a abstinência. — Disse o garoto com um sorriso no rosto. Não era, de todo, mentira. Ele estava mesmo em abstinência...
  2. soul-and-mind-dark reblogged this from chemistrymcguire and added:
    — Você anda muito abusadinho, sabia? Me atentando desse jeito… — Arqueou uma das sobrancelhas, somente para contestá-lo....
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